Às favas com o épico: Uma Batalha Após a Outra (Paul Thomas Anderson, 2025)
dropetavares
30 minutes ago
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Bom quando um filme em sua primeira camada parece uma farpa no dedo. É incômodo justamente por subverter à própria apresentação rapidamente, de jogar uma possível epopeia de jovens revolucionários para o canto sem amarras com a ideia de estabelecer um discurso, estética e gênero. O fio narrativo tem sim seu embrião nos primeiros minutos, mas o que fica é como o filme de Paul Thomas Anderson se desenvolve como uma dinâmica de ganchos e abordagens que se diferem conforme os núcleos vêm e vão. O que tende a ganhar molduras pré estabelecidas pelo cinema clássico para alguns gêneros e para outros com a Nova Hollywood, Anderson opta por tonalidades discrepantes. A exemplo das figuras do (anti) herói e do vilão do filme, que em uma temática pesada quanto o controle de imigração na fronteira americana e o modus operandi das autoridades americanas, mais parecem dois personagens dos Farrelly. A pensar que a fase bélica mais recente de Bigelow parecia uma referência para Anderson, logo nota-se o interesse pela ambiguidade de seus núcleos. Com isso, o que seria um contorno heroico se aproxima de uma sátira na mesma medida que aborda outros gêneros com certos marcos norte-americanos como o cinema de ação, o teenage flick e, claro, o faroeste. Como o título entrega, esta sucessão de ganchos (afinal, uma batalha após a outra), parece contornar, por fora e à distância, um conto repleto de lampejos utópicos e atos desesperados enquanto recusa debruçar-se sobre o óbvio; o filme de Paul Thomas Anderson não se reduz à análise das ações fascistas do poder americano e mostra-se mais interessado nas diversas formas de mostrar como as duas pontas, possuem raízes mais complexas que sempre os colocarão à mercê da mentira, imoralidade e violência. Há, porém, uma diferença entre elas e talvez seja o grande acerto do filme: brincando com a associação de diálogos ("ondas do mar, ondas do mar", por exemplo), ele exibe como estes dois extremos compreendem seus papéis na história e isso é capaz de criar pontos cegos - literais e metafóricos.