Diretores lançam filmes mais contidos comparados às suas filmografias
Dos projetos mais aguardados de 2025, a versão de Richard Linklater sobre a produção de O Acossado não repete o desastre do filme de Michel Hazanavicius ao narrar as filmagens de A Chinesa. Nouvelle Vague, ao contrário do que se espera, apenas usa algumas figuras-chave do movimento francês como eixos narrativos - a exemplo de Truffaut, autor da história original no qual O Acossado é baseado. É um filme díspar que se concentra por boa parte do tempo em equilibrar abordagens. O que se espera de Linklater é a leitura mais espirituosa, mas há o nítido intuito de respeitar a metodologia de Jean-Luc Godard - por sua vez inspirada em Rossellini. Ainda que pareça inclinado à uma releitura adormecida e mais próxima de um relato testimonial, Linklater mostra a subversão ao modus operandi do cinema americano como uma resposta às crises de produção no pós-guerra. À priori, o que assustou produtores e atores como um filme sem um senso de unidade, é a sustentação narrativa para Linklater e não um gancho para tributo aos caminhos inventivos de Godard para mudar os modos de produção e os meios de reprodução como uma questão epistemológica do cinema - e com crescente alcance ao público. Um filme mais comedido e meticuloso, mas que se justifica perante à importância ao que se registra.
Já pelo lado de Cianfrance, Roofman é um filme que analisa pontos cegos da sociedade e apresenta Jeffrey, seu protagonista, esmagado pelos sonhos da classe-média americana. Uma casa, um carro, uma bicicleta...neste sentido, Cianfrance surpreende por uma abordagem estética semelhante ao seu The Place Between the Pines. Pendular na tensão das consequências e o caricatural ao traçar Jeffrey como um homem que ousou enfrentar o tempo e a justiça, Roofman é um filme reducionista ante ao filme de fuga. Tem seus pontos altos, sobretudo no primeiro terço do filme, quando escancara o perfil subversivo do personagem. Alguns planos ligados aos thrillers e neo-noirs dos anos 60 como Targets e The Chase, mas por mais divertido que possa se vender, Roofman é uma absorção entediante por muitas vezes no sentido que seus cortes não funcionam à ilusão do caminhar do tempo. Descobrir o novo, adaptar-se, criar mais pontos cegos em sua história baseada na moral. Cianfrance a partir daí faz um filme de fuga verbal. A mentira como o maior eixo invisível para sobrevivência em uma sociedade fadada ao fracasso. Vender-se bem é o melhor negócio - mas é trabalhoso e gasta o carisma por mais propenso à atuação que alguém esteja para se sustentar. O ponto cego dentro de outro ponto cego, que, pela lógica do cinema americano, tem apenas um ingrediente para quebrá-lo:__________ Deixarei em branco como um ponto cego.
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