Melhores filmes de 2025
- Pedro Tavares

- Dec 31
- 8 min read
Um ano de mudanças significativas acabou impactando diretamente meu tempo e meu ritmo de ver filmes, o que me levou a assistir menos obras do que o habitual. É possível que alguns notem ausências importantes nesta lista — filmes que, por diferentes motivos, não consegui ver a tempo de incluí-los aqui. Ainda assim, mantive a praxe dos cem melhores do ano, embora confesse que o processo foi mais difícil e exigente do que em outros momentos. Ao observar o conjunto final, fica claro que a lista se organiza mais por afinidades, encontros e ressonâncias do que por uma noção rígida de qualidade crescente ou decrescente. À medida que as posições avançam, os critérios se tornam inevitavelmente mais subjetivos, guiados por sensações, contextos e pelo modo como cada filme dialogou comigo ao longo do ano. Não sei se isso diz mais sobre minhas escolhas ou sobre o próprio momento do cinema recente. De todo modo, segui utilizando os parâmetros de sempre: filmes com até dois anos de lançamento em relação à sua produção — neste caso, obras de 2023 a 2025 — e com duração superior a 40 minutos. Esta lista é, como sempre, um recorte possível dentro das circunstâncias do ano vivido. Espero que gostem, discordem, descubram coisas novas e, principalmente, que ela sirva como convite para ver mais cinema.

100 The Best of Me (Heather Landsman, EUA, 2025)
No horror do exibicionismo, da paranóia e da solidão.

99 Mambembe (Fabio Meira, Brasil, 2024)
Filme-exercício e sonho-processo.

98 Matt and Mara (Kazik Radwanski, Canadá, 2025)
A ilusão da nostalgia numa crise matrimonial.

97 Invader (Mickey Keating, EUA, 2024)
A completa falência da América por um filme de terror.

96 Hiccups (Joel Haver, EUA, 2024)
Um novo rumo para o indie americano por um de seus maiores entusiastas.

95 The Promised End (John Ledingham, JP Meldrum, Canadá, 2024)
Carta de amor em free jazz.

94 Body Blow (Dean Francis, Austrália, 2025)
Pyun e LaBruce fazem um flme DTV.

93 Reedland (Sven Bresser, Holanda, 2025)
Thriller de ausências.

92 Speck the Night (Hsin Yao-Huang, Taiwan, 2024)
Filmar pelo ato de espera - no gesto e pela vida.

91 Escape (Masao Adachi, Japão, 2025)
Luta pela liberdade em angústia permanente.

90 Jamex e o Fim do Medo (Ramon Coutinho, Brasil, 2024)
Distopia videogame versão Belair.

89 O que a Natureza Te Conta (What Nature Does Say to You, Hong Sang-Soo, Coréia do Sul, 2025)
O mais espiritual dos Hongs.

88 Phantoms of July (Sehnsucht in Sangerhausen, Julian Radlmaier, Alemanha, 2025)
Multiplas gerações e gêneros como analogia bem humorada do cotidiano.

87 Bluish (Milena Czernovsky, Lilith Kraxner, Áustria, 2025)
Adolescência em contrapontos.

86 Ulysses (Hikaru Uwagawa, Japão, 2024)
Toda despedida é mundana.

85 Pecadores (Sinners, Ryan Coogler, EUA, 2025)
O sangrento baile da apropriação.

84 Relay (David Mackenzie, EUA, 2024)
Intensa subversão de posições e eixos para um suspense.

83 Borderline (Jimmy Warden, EUA, 2024)
O midnight movie do ano.

82 Metal Frio (Frio Metal, Clemente Castor, México, 2025)
Analogia do deslocamento mental num estado depressivo.

81 Evidência (Evidence, Lee Anne Schmitt, EUA, 2025)
Os efeitos de uma nação sedenta por poder.

80 O Riso e a Faca (Pedro Pinho, Portugal, 2025)
Crise interna, conflito externo.

79 Um Minuto é Uma Eternidade Para Quem está Sofrendo (Wesley Pereira, Fábio Rogério, Brasil, 2025)
Antes de tudo, um grande filme do âmago.

78 Archéologie de La Lumière (Sylvain L'Esperance, Canadá, 2024)
Metamorfose cinemática por meios naturais.

77 Hair, Paper, Water (Nicolas Graux, Truong Quy Minh, França/Vietnã, 2025)
Viver, reviver e não sucumbir ao capital.

76 The Shrouds (David Cronenberg, Canadá, 2024)
Corpos cortados e almas hackeadas.

75 Hard Truths (Mike Leigh, Reino Unido, 2024)
Subversão de efeitos: aquele que chora ao sorrir.

74 A Balcony in Limoges (Jérôme Reybaud, França, 2025)
Uma comédia que tem como alicerce o cinismo com o próprio gênero.

73 Sovereign (Christian Swegal, EUA, 2025)
Um homem a achar brechas na lei e a polícia a usar a violência como argumento.

72 Bury Us in a Lone Desert (Nấm Mồ Lý Tưởng, Nguyễn Lê Hoàng Phúc, Vietnã, 2025)
Vingança leitmotiv.

71 Luta de Classes (Highest 2 Lowest, Spike Lee, EUA, 2025)
Kurosawa, Keaton e Lang na roupagem de Spike Lee parecem minimamente interessantes.

70 Kickflip (Lucca Filippin, 2025)
Slacker para a geração dos anos 2000.

69 Almas Mortas (Dead Souls, Alex Cox, Espanha/EUA, 2025)
Gargalhada na cara do fascismo norte-americano.

68 No Other Choice (Park Chan-Wook, Coréia do Sul, 2025)
A comédia de erros que a sobrevivência sugere.

67 Dragkiller (Johnny Victor, Brasil, 2024)
Entre Waters e Paulo Gustavo, um ato de afirmação muito corajoso.

66 A Second Life (Laurent Slama, França, 2025)
Recomeços constantes.

65 Papagaios (Douglas Soares, Brasil, 2025)
Rio de Janeiro em um homem.

64 American Spirit (Christopher Yates, EUA, 2024)
O elo entre o (neo) cinema independente e Richard Linklater.

63 Magazine Dreams (Elijah Bynum, EUA, 2023)
Angústia e constrangimento: um homem a sofrer na elasticidade dos planos.

62 Na Passagem do Trópico (Francisco Miguez, Brasil, 2025)
Entre o road movie e o sci-fi, grandes formulações sobre o Brasil pós 2018.

61 Plains (Romanne Walker, Canadá, 2023)
Nós contra o mundo. Exceto o virtual.

60 Espada do Silêncio (Sword of Silence, Reese Cleveland, Austrália, 2025)
Monumento ao pesadelo.

59 Nós Somos o Fugazi de Washington D.C. (We Are Fugazi from Washington D.C, Vários, 2023)
Pequenas revoluções.

58 Estreia, ou Objetos do Campo de Detritos como Atualmente Catalogados (Debut, or, Objects of the Field of Debris as Currently Catalogued, Julian Castronovo, EUA, 2025)
Investigação forense sobre si.

57 Portrait of a Confused Father (Portrett av en forvirret far, Gunnar Hall Jensen, Suécia, 2025)
Um homem a agarrar a dor.

56 Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, Paul Thomas Anderson, EUA, 2025)
Como resolver questões na terra da prosperidade: lampejos utópicos e atos desesperados.

55 Stranger Eyes (Mo Shi Lu, Yeo Siew Hua, China, 2024)
Olho-vigia que se destitui na obsolescência dos arquivos.

54 Where to Land (Hal Hartley, EUA, 2025)
Gema do cinema independente: a novela de um realizador prestes a desistir.

53 Cartas do Absurdo (Gabraz Sanna, Brasil, 2025)
Túnel da reflexão.

52 Knife in the Heart of Europe (Artem Terent'ev, Alemanha/Áustria, 2025)
Sombras e névoas para um país soterrado.

51 Morte e Vida Madalena (Guto Parente, Brasil, 2025)
Crônica sobre o cinema independente brasileiro e suas tradições.

50 Assim Falou o Vento (Thus Spoke the Wind, Maria Rigel, Armênia, 2025)
Balada sangrenta dos bons costumes.

49 Uma Baleia Pode Ser Dilacerada Como Uma Escola De Samba (Marina Meliande, Felipe Bragança, Brasil, 2025)
O carnaval como espectro pelas ruas cariocas.

48 Stress Positions (Theda Rammel, EUA, 2024)
Sitcom pandemica de Gregg Araki.

47 Cobre (Nicolás Pereda, México, 2025)
Thriller da classe trabalhadora.

46 The Mastermind (Kelly Reichardt, EUA, 2025)
À falência intelectual e comportamental masculina.

45 Castration Movie 1: Traps (Louise Weard, Canadá, 2024)
Quando existir é pura resistência e deslocar-se é subversão.

44 Mirrors No. 3 (Christian Petzold, Alemanha, 2025)
Filme de fantasmas.

43 Punku (J.D. Molero, Peru, 2024)
Um thriller para Apichatpong.

42 Sob a Chama da Candeia (André Gil Mata, Portugal, 2024)
A casa da família Dielman.

41 Um Completo Desconhecido (A Complete Unknown, James Mangold, EUA, 2024)
Dylan a flutuar em contornos dramáticos adormecidos.

40 Tudo que Imaginamos como Luz (All We Imagine as Light, Payal Kapadia, França/Índia, 2024)
Lamento por amores perdidos.

39 Conclave (Edward Berger, EUA, 2024)
Refinaria acadêmica interpelada por camadas espinhosas da sociedade.

38 Sidonie no Japão (Sidonie au Japon, Élise Girard, 2023)
Poesia no rito de adeus.

37 Ninho de Pássaro (Mare's Nest, Ben Rivers, Reino Unido/França, 2025)
Místico coming of age.

36 Swimming in a Sand Pool (Nobuhiro Yamashita, Japão, 2024)
Os muros que cercam a igualdade.

35 Misericordia (Alain Guiraudie, França, 2024)
Um filme de fuga construído pela oralidade.

34 Wabi Sabi Rendezvous (Jordy Pollock, Austrália, 2024)
O filme francês de Bujalwski.

33 A Ilha do Navio (The Vessel's Isle, Wang Di, China/EUA, 2024)
Um romance de atravessamentos e mínimas sugestões.

32 A Vida Luminosa (João Rosas, Portugal, 2025)
Canção do fim da juventude.

31 Hot Milk (Rebecca Lenkiewicz, Reino Unido, 2025)
Na torta lógica da humanidade.

30 Canções do Oriente (Chants du L'est, Jean-Jacques Martinod, Matthew Wolkow, Canadá/Equador, 2024)
Processos e renascimentos.

29 Santa Eletricidade (Holy Electricity, Tato Kotetishvili, Geórgia, 2024)
Escrotizar sempre será uma forma de denúncia.

28 Trilha Sonora Para um Golpe de Estado (Soundtrack to a Coup d’Etat, Johan Grimonprez, Bélgica, 2024)
Raízes exterminadas por interesses capitais.

27 L'Aventura (Sophie Letourneur, França, 2025)
A caótica rotina do amor.

26 O Descompasso do Chile (The Bewilderment of Chile, Lucía Seles, Argentina, 2025)
À cruel sutileza do capitalismo agindo sobre nossas vidas.

25 Fuck the Polis (Rita Azevedo Gomes, Portugal, 2025)
Poemas num caderno de viagem: O Film Socialisme de Rita Azevedo Gomes.

24 Solo Qu3r3mos un poco de amor (Raúl Perrone, Argentina, 2025)
Neorrealismo para os fantasmas de Perrone.

23 Blue Moon (Richard Linklater, EUA, 2025)
Um ser sociável e destruído por dentro: muitas palavras para ilustrar a solidão.

22 Salomé (André Antônio, Brasil, 2024)
O mais completo e divertido exercício antropológico do ano.

21 On Becoming a Guinea Fowl (Rungano Nyoni, Zâmbia/Reino Unido, 2024)
Efeito dominó a partir das estruturas do machismo.

20 Pavements (Alex Ross Perry, EUA, 2024)
Uma banda, três surtos coletivos.

19 Broken Rage (Takeshi Kitano, Japão, 2024)
Pilares da filmografia de Kitano para zoar seu financiador.

18 Sermon to the Birds (Hilal Baydarov, Azerbaijão, 2023)
Adão e Eva no bálsamo da culpa.

17 Alavancas (Levers, Rhayne Vermette, Canadá, 2025)
Crônica sobre as feridas na alma da Terra.

16 When the Phone Rang (Kada je zazvonio telefon, Iva Radivojević, Sérvia, 2024)
Marcas e memória para nortear uma vida.

15 Ariel (Lois Patiño, Espanha, 2025)
Sitcom de Patiño: perdidos na ilha de Shakespeare.

14 Fernão de Magalhães (Magellan, Lav Diaz, Filipinas/Espanha, 2025)
Diaz ocidental reajusta sua brutalidade.

13 L'histoire de "Scénario" (Jean-Luc Godard, Jean Paul Battaggia, França/Japão, 2025)
Pintando filmes.

12 A Cerca (Les cri des garde, Claire Denis, França, 2025)
Elementos processuais do racismo na sociedade capitalista.

11 Last Night I Conquered the City of Thenes (Anoche conquisté Tebas, Gabriel Azorín, Espanha/Portugal, 2025)
Purgatório dos santos.

10 Wind, Talk to Me (Stefan Djordjevic, Sérvia, 2025)
Canções em harmonia no musical nuclear.

09 Dry Leaf (Alexandre Kobaridze, Geórgia, 2025)
O peso da ausência e o esplendor da natureza.

08 Um Toque Familiar (Familiar Touch, Sarah Friedland, EUA, 2024)
Como descartar um melodrama.

07 Baby Invasion (Harmony Korine, EUA, 2025)
Niilismo digital e saturação de imagens.

06 Little Boy (James Benning, EUA, 2025)
Ao valor do mínimo e da inocência: montando quadros de horror da história americana.

05 Henry Fonda For President (Alexander Horwarth, EUA, 2024)
Um homem, a história do cinema e de uma nação.

04 Oeste Outra Vez (Erico Rassi, Brasil, 2024)
Balada do desamor: chumbo trocado à base de lágrimas.

03 Conferência dos Pássaros (Conference of the Birds, Amin Motallebzadeh, Alemanha, 2025)
Thriller etéreo sobre os fantasmas da corrupção.

02 Barrio Triste (Stillz, EUA/Colômbia, 2025)
O Hard to Be a God sudaca.


O importante é a qualidade não a quantidade embora seja um chavão vale para definir o que o cinema representa na minha vida
Muito bom 👏👍