26 filmes para 2026
- Pedro Tavares

- Jan 19
- 7 min read
Updated: Jan 20
Este é um panorama sem qualquer parâmetro com relação a qualidade, afinal, não tenho a menor ideia do que virá de todos os filmes listados. No entanto, estes me instigaram, seja pelo diretor, pela trama ou modelo de produção. Esta lista certamente tem furos com alguns filmes de diretores relevantes que não sei que estão para estrear novos filmes - ou simplesmente me esqueci. Temos aqueles que lançam filmes novos anualmente (Benning, Sang-Soo, Takashi Miike), alguns retornos interessantes e sobretudo alguns filmes relacionados a músicos, o que é bem curioso. Gosto quando os dois mundos se relacionam, seja por histórias da música como músicos indo para a cadeira de diretor. Outro detalhe notável é a fusão de universos, a exemplo de Tarantino com David Fincher e Alex Rockwell ou Rodrigo Teixeira produzindo um terror dirigido por Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre.
Vamos aos filmes:

As Aventuras de Cliff Booth (David Fincher)
Com roteiro escrito por Tarantino, Fincher visita o universo de Era uma vez em Hollywood e amplia a saga de Cliff Booth (Brad Pitt). Estreia mundial prevista para o verão americano, quem sabe com uma parada em Cannes.

Send Help (Sam Raimi)
Desde Drag Me to Hell Sam Raimi não faz um bom filme e este coloca o diretor em uma proposta muito mais humilde do que seus últimos filmes de orçamentos robustos. Dois rivais sozinhos em uma ilha deserta me parece um bom ponto de partida. Estreia no dia 12 de fevereiro.

Onslaught (Adam Wingard)
Wingard virou o queridinho da cinefilia quando dirigiu Death Note em 2017. Logo depois dirigiu os dois filmes da franquia Godzilla vs. Kong. Com Onslaught ele retorna a um projeto autoral, o que me parece ótimo já que seu último filme neste perfil foi o ótimo The Guest de 2014. Estreia prevista para o segundo semestre de 2026.

The Projectionist (Alexandre Rockwell)
Rockwell tem boa média de lançamentos - um filme a cada três anos - mas segue às sombras de In the Soup de 1992. Este, produzido por Tarantino, é um exercício minimalista que se passa em uma sala de cinema e quatro personagens com um homem a recuperar filmes antigos. É o filme de abertura do Slamdance 2026.

A Fúria (Ruy Guerra)
O filme teve sua primeira sessão no Festival de Brasília de 2024 e parou por aí. Um imbróglio entre produtores parecia dar um triste fim para o filme, mas a boa notícia vem com o lançamento do filme previsto para fevereiro. Trata-se do encerramento da trilogia também composta por Os Fuzis e A Queda.

O Vale Imaginário (Bucking Fastard, Werner Herzog)
Há tempos Herzog não une elenco hollywoodiano e seu universo mítico. Este, estrelado por Kate e Rooney Mara, (a julgar pelos stills, posso estar completamente enganado) parece dialogar com o Herzog dos anos 70. Estreia esse ano, provavelmente em algum festival medalhão do tipo Cannes ou Veneza.

Tannhauser (Vinicius Romero)
Dos mais promissores realizadores do cinema experimental brasileiro, Vinicius vem de produção ininterrupta e volta a Tiradentes no fim de janeiro para lançar seu novo longa-metragem.

And Out Comes The Wolf (Danny Peykoff)
Bem curioso por esse, afinal é baseado em um dos melhores discos dos anos 90: ...And Out Comes the Wolves do Rancid. Já que o disco é um mosaico de histórias das ruas, fico interessado em saber como criaram o conceito narrativo. O filme tem estreia prevista para 2026 e a trilha original é do próprio Rancid.

Acelerando para o Ano Novo (New Year's Rev, Lee Kirk)
Se o Rancid ganha uma adaptação livre de seu disco clássico, este aqui é a partir de um capítulo da história do Green Day. Três garotos pegam a estrada para abrir para a banda californiana na véspera de ano novo. O que o filme mostra, na verdade, é a história de Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool. Estreou no Festival de Toronto e terá distribuição no Brasil - com este título duvidoso.

Bate-Volta Copabacana (Juliana Antunes)
Primeiro longa de Juliana após Baronesa, filme que ganhou a Mostra Aurora, à época o grande prêmio de Tiradentes. Falando em Tiradentes, o filme estará no programa para filmes de work in progress - o que leva a considerar seu o lançamento no segundo semestre.

Privadas de Suas Vidas (Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre)
A união Gurcius e Vinagre já é suficientemente instigante, mas a ler sobre a trama e o nome de Rodrigo Teixeira de produtor me deixa ainda mais curioso para ver o resultado. Estreia no festival de Rotterdam deste ano.

Flowervale Station (David Robert Michell)
Oito anos após Under the Silver Lake Mitchell lança um longa e que pela trama parece dialogar com seu filme de 2014, Corrente do Mal (It Follows).

Remain (M. Night Shyamalan)
Sempre uma promessa de reações extremas, Shyamalan levanta uma grande interrogação para quem acompanha sua carreira ao co-escrever um roteiro com Nicholas Sparks, autor de diversos romances adaptados para o cinema. Estreia em 26 de outubro.

I Want Your Sex (Gregg Araki)
Após um longo hiato Gregg Araki volta aos filmes e pela trama parece voltar aos tempos de Kaboom e The Doom Generation. No elenco, além de Olívia Wilde, tem Charlie xcx e Johnny Knoxville. Estreia no Festival de Sundance.

Matapanki (Diego Fuentes)
O filme estreou no FIC Valdivia no ano passado e foi ovacionado, mas o que chama atenção é a sequência da carreira desse filme, entrando em festivais que muitas vezes prezam pelo ineditismo. O longa que conta a história de um punk bêbado intencionado a mudar o mundo e cria um conflito internacional estará na Berlinale e no Slamdance.

Pure Scum (Gideon Aroni)
Da mesma escola de produção de Matapanki, ou seja, totalmente independente, feito em parceria com os amigos, este longa cria uma onda crescente de violência após um acidente de carro com dois adolescentes. Estreou no Fantasia de 2025 e pelo visto será descoberto já nos streamings...

Amante Difícil (João Pedro Faro)
Mais um da escola DIY, este me parece um filme mais identificado à uma estrutura dramática e/ou narrativa e menos subversivo que os anteriores de JP Faro. Estreia no fim do mês na Mostra de Tiradentes.

Carolina Caroline (Adam Rehmeier)
Gosto bem do último filme do Adam Rehmeier, Dinner in America. Neste road movie envolvendo thriller e romance, me parece um passo de Rehmeier rumo ao mainstream. Curioso pelo resultado. Estreou no último Festival de Toronto.

City Wide Fever (Josh Heaps)
Há poucas informações sobre a carreira de Heaps além de produzir no momento o novo filme de Paul Schrader e dirigir City Wide Fever. Estreou no Downtown Festival nos EUA, o que parece ainda mais obscuro. No entanto, me instiga saber o que fez Guy Maddin injetar dinheiro no projeto. O filme conta a história de uma estudante de cinema que encontra um USB com informações sobre o sumiço de um diretor de horror italiano. Obviamente está sob o escopo do "giallo moderno".

Castration Movie III (Louise Weard)
Terceira e última parte da saga de Michaela. Com a informação que este terceiro episódio tem 300 minutos, a antologia Castration Movie passará das dez horas de duração. Neste, Michaela tenta melhorar com o mundo ao redor enquanto Izzy tenta com suas forças que sua amiga não faça transição.

One Spoon of Chocolate (RZA)
O rapper RZA volta às artes marciais neste que mescla um thriller com questões raciais e um filme exploitation. Estreou em Tribeca no ano passado, sem muitos alardes.

Camp (Avalon Fast)
Avalon dirigiu o ótimo Honeycomb e este novo filme é nada mais que um ciclo de luto, bruxaria, amizade e redenção na mesma linha. Estreou no Fantastic Fest de 2025.

Luna Rosa: La 7a Ascensión de Atabey (Omar Rodriguez-Lopez)
Omar Rodriguez-Lopez é mais conhecido por ser guitarrista do The Mars Volta e do At the Drive-In, ainda que este seja seu quarto longa-metragem. Trata-se de uma ficção científica no qual Zur'na busca seu irmão, sequestrado pelo colonialismo das forças americanas. Estreou no Festival de Rotterdam 2025 e segue inédito por aqui.

Fuze (David Mackenzie)
Diretor de Hell or Highwater, Mackenzie faz um heist movie a partir da evacuação de Londres ao encontrarem soterrada uma bomba não detonada da segunda guerra. Estreou no último festival de Toronto, sem previsão de estreia comercial por aqui.

Blue Film (Elliot Tuttle)
Este é o segundo filme de Elliot. Blue Film é um drama queer sobre a paixão de um modelo de webcam e um cliente atravessada por mistérios obscuros e violentos. Ainda inédito no Brasil.

Imperfeitamente Perfeita (Ella McCay, James L. Brooks)
Retorno de Brooks ao cinema depois de quinze anos com um filme político em sua tradicional forma usando elementos da comédia e do drama. Estreia no Brasil em 12 de fevereiro.

Coelho Vingador (Bunny-Man, Alessandra Starr Ward)
Este é por uma curiosidade atroz mesmo. Escrito e dirigido pela modelo Alessandra Ward, o filme conta a saga de um rapper que usa máscara de coelho atrás da vingança da morte de sua irmã. O elenco é instigante com nomes como James Franco, Mike Tyson (!) e a atriz brasileira Débora Nascimento.

Paper Tiger (James Gray)
Thriller protagonizado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller com direção de James Gray. Estreia prevista para o primeiro semestre de 2026, o que significa que há possibilidades de uma première em Cannes.


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